sábado, 15 de março de 2008

Escultor, pintor ou poeta?


Minha barba aponta para o céu, minha nuca descai,
Colada a minha espinha.
Meu esterno visivelmente cresce como uma harpa;
Uma rica decoração adorna meu rosto
com tinta que goteja, espessa e fina.
Meus lombos moem, quais êmbolos, minha barriga dói.
Minhas nádegas sustentam como uma sela todo o meu peso,
Meus pés, soltos no espaços,
balançam de um lado para outro, dormentes.
Reteso meu corpo de trevés, dobrando qual arco de flecha.
Vem, Cristo,
Ajuda a salvar minhas pinturas e bom nome,
Pois tão atormentado estou e pintar é minha desgraça.
Michelangelo
- Trecho do poema sobre a Capela Sistina.

2 comentários:

helentry disse...

Poema para uma poetisa

Um homem, ou melhor, um Deus dentro de uma mulher,
Por sua boca saem suas palavras,
Que me fizeram tanto bem.
Jamais serei o mesmo após ouvi-la.
Desde que ela a alma roubou-me
De mim, tenho certeza,
Faço pena de mim mesmo.
Seus lindos traços induzem
Mais que o falso desejo.
Então vejo a morte em qualquer outra beleza.
Vós que trazeis as almas, oh senhora,
Pelas águas e pelo fogo para a felicidade,
Fazei que eu jamais volte para mim.

Michelangelo

Ele foi bom em tudo, ou quase tudo!rsrsr
Mas, poeta foi muito bom!
Considerando a época, quem quer colocar defeitos em sua obra plástica, tem é vontade de poder fazer ígual! Quanta expressividade! Obrigada, Christiano, por me fazer recordar o magistral Michelângelo! Amo este poema que aqui deixo!

O Bibliotecário disse...

Dá próxima vez que eu for postar uma poesia, consultarei você antes!... Essa é bem mais bonita!