sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A cena e o tema

Parado numa fila de cinema, Lou Reed viu um mendigo esbravejando com uma mulher. Assim que chegou mais perto, notou que o sem-teto não estava propriamente aborrecendo a senhora, e sim recitando aos brados O corvo, de Edgar Allan Poe. Quem está familiarizado com o engajamento de Lou Reed nas descrições veementes do comportamento humano sabia que ele acabaria transformando em letra de música a curiosa situação. E foi o que fez no The Raven (O Corvo), seu 23º álbum solo - desde que saiu da lendária banda Velvet Underground. A quem interessar possa, o disco dá mais uma prova de que Lou Reed, com certeza, é o melhor cronista que o rock já promoveu. Sua verve está afiadíssima. Sexo extremado, drogas e amores amargos integram o panorama musical de The Raven, um disco que deve ser apreciado – como o próprio autor já aconselhou em vezes anteriores – com fone de ouvido para ser mais bem entendido em sua plenitude, tanto em relação às letras contundentes quanto às melodias e harmonias de peso.

Além de Poe, Lou Reed é admirador confesso de Raymond Chandler e James Joyce, a quem faz referências em Blue Mask.

3 comentários:

cristina disse...

christiano, nao some mais assim nao. e se sumir um pouco, quando voltar avise.
cristina

Kovacs disse...

Parabéns, excelente texto sobre Lou Reed. Gostei muito também das postagens sobre Poe. Voltarei outras vezes.

O Bibliotecário disse...

Kovacs, vc é mais do que bem-vindo, é esperado. Volte sempre!!!!