quinta-feira, 5 de julho de 2007

Múltiplo

De quantos braços um homem precisa para sacudir e agitar toda uma cultura? Jean Cocteau não precisou de nenhum, o gênio foi bastante...
Parisiense nascido em uma riquíssima família burguesa, Cocteau foi desde menino um rebelde discreto – um prolífico e até mesmo requintado inovador. Considerava-se antes de tudo um poeta. Mas sua idéia de poesia tinha um extenso alcance criativo que transcendia a literatura para abranger o balé e as artes visuais. Cocteau era o que se chama de esteta, mas também um dândi, e diria até um exibido. Buscava incessantemente chocar e ser aplaudido. Enquanto trabalhou como motorista de ambulância durante a primeira guerra mundial, misturou-se com a brilhante geração de artistas da qual Picasso, um amigo de toda a sua vida, foi o nome mais destacado, mas que também incluía Mondigliani, Apolinaire e Max Jacob. Todos se reunião no lendário apartamento de Gertrude Stein, onde surgiu o cubismo e a Geração Beat. A propósito, foi nesse apartamento que ele conheceu o grande amor de sua juventude, Raymond Rediguet, que faleceu aos 21 anos. A tristeza da perda fez dele um viciado em ópio por quase duas décadas, mas isso não inibiu sua produtividade. Fez seu primeiro filme, Le sang d’um Poète (O sangue de um poeta), em 1932, e seu Orphée (Orfeu), de 1950, mostrou que Paris havia retomado seu papel como sentro cultural da elegância e estilo.
Mesmo assim a caneta e o pincel foram seus melhores instrumentos.

Nenhum comentário: