domingo, 16 de setembro de 2007

Rainha do crime impossível


Pense num escritor de romances policiais e de quem você lembra? A maioria das pessoas de Agatha Christie. Pense em livro policial – e novamente muitos lembram de O assassino de Roger Ackroyd (1926). Este romance é um dos mais perfeitos exercícios de investigação já escritos, um ardil que, mesmo depois de oitenta anos, de seu lançamento, não deve ser revelado porque sempre haverá novos leitores para se surpreender com seu desenlace. A Ratoeira não é melhor peça dela, mas foi encenada por mais de quarenta anos. E por que? Talvez seja a lenda que existe em torno de Agatha Christie, cuja vida é no mínimo pitoresca: aos quatro anos de idade, já uma, menina curiosa, cultivava o hábito de perguntar a babá o que era toda palavra que via em qualquer lugar que fosse, como por exemplo, na fachada de um armazém. Memorizava as palavras, tornando-se capaz de ler frases sem conhecer as letras. Das frases, ela passou para os livros, tornando-se uma leitora voraz desde muito cedo. Mas nem só de lenda vive o mito, Agatha também tinha um conhecimento preciso do que faz o leitor vibrar – o aconchego misturado com alguns indícios de algo podre por baixo de tudo. Ela adorava o aconchego preferindo Miss Marple e Hercule Poirot, nunca permitindo que a violência entrasse em seus textos. Apesar disso, a sua fascinação por crimes domésticos escoa para milhões de leitores. Eles sabem que quando ele envenena um personagem, está apenas brincando, que o sangue de suas vítimas não vai deixar nenhuma mancha em sua imaginação. Ela não gostava de ver sujeira nem mesmo em sua autobiografia (que levou 15 anos para ser escrita). Contudo há um capítulo muito obscuro em sua vida do qual ela nunca quis falar: quando morreu sua mãe e seu marido pediu o divórcio para casar com a secretária.
Estes dois fatos lhe causaram uma grande crise nervosa que resultou em amnésia. Sabe-se que em uma noite de dezembro do ano 1926, tendo ela 36 anos, desapareceu misteriosamente, e seu carro foi encontrado abandonado numa auto-estrada.
Sobre este acontecimento surgiram muitas especulações, até se pensou que era uma ação para dar publicidade à escritora. O certo é que onze dias mais tarde ela apareceu num hotel litorâneo registrada com o nome da amante de seu marido. Depois de encontrada foi submetida a um tratamento psiquiátrico.
Separada de seu marido e com sua filha internada em um colégio, Agatha viajou sozinha à Bagdá a bordo do Orient Express, trem que serviu de inspiração para uma de suas novelas mais famosas: "Assassinato no Expresso do Oriente".
Agatha deixou sucessores, mas estes não possuem sua ingenuidade. Foi, e ainda continua sendo um dos maiores fenômenos da literatura mundial (com aproximadamente 2 bilhões de exemplares vendidos), e para sempre será a rainha do crime impossível.

2 comentários:

Dora disse...

Que blog gostoso de ler... Fico feliz por tê-lo achado. Por favor, continue postando!!!

Abraços.

O Bibliotecário disse...

Dora, caríssima

Acho que ainda não fomos apresentados, mas já vou logo dizendo que pode se sentir em casa, ou melhor, na sua biblioteca. Feliz fico eu quando recebo novos visitantes.
Obrigado, muitíssimo obrigado por ter vindo!
Vou continuar postando sim (se vc jurar que voltará sempre!) e vou tentar tornar as coisas ainda mais agradáveis, isto é, gostosas.

Grande abraço.