sábado, 5 de maio de 2007

O Apóstolo do Existencialismo

Hoje, dia 05 de maio, a Dinamarca celebra a memória de Sören Kierkegaard, o homem que desejou ardentemente ser apóstolo de Cristo, e não apenas um gênio literário. Todavia, apesar de sua intensas aspirações espirituais, ele foi só um gênio literário. Só!
Os leitores apenas lembram ou pensam em Kierkegaard como o autor de "Repetição", "O Diário de um Sedutor", "O Desespero Humano" e outras obras extraordinárias em que predominam a ironia e uma profunda reflexão sobre a existência, repetição, sofrimento e sedução. Em seus textos é a grandeza estética que primeiro nos atrai, a fé é apenas coadjuvante. No entanto, ele foi um dos mais veementes críticos que o cristianismo já teve, e o mais profundo intérprete da experiência religiosa desde Santo Agostinho.
Filho da empregada, caçula de 7 irmãos, ele cresceu no ambiente rigoroso e frio de uma fervorosa e ascética família luterana. Sua infância, assim como toda a sua vida, foi tediosa e sem grandes acontecimentos, a não ser a literatura. Quando adolescente, apaixonou-se por uma garota de 14 anos, da qual conseguiu ficar noivo - mas não casou porque tinha medo de não poder corresponder à fogosidade da moça!... Depois disso tornou-se celibatário, entrou para a universidade e - como os santos Anselmo, Boaventura e Tomás de Aquino fizeram com o catolicismo - ele começou a estudar a teologia protestante no intuito de elevá-la à condição de filosofia aplicada. Não conseguiu. Contudo, do conjunto de suas reflexões surgiu o Existencialismo.
As questões existenciais impregnam toda a obra literária de Kierkegaard, assim como a de todos os escritores que o sucederam - mesmo os ateus - pois seu pensamento repercutiu com efeitos diversos. Após três gerações de esquecimento, ele foi redescoberto no começo do século XX, quando sua voz ecoou fortemente nas obras de Ibsen, Kafka, Mann, Heidegger, Jasper, Sartre e do teólogo Carl Barth.
Na adolescência, o brilhante seminarista Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI, escreveu uma breve monografia onde dizia que Kierkegaard não foi apenas o principal intelectual protestante, mas também o profeta tardio que anteviu o desespero e vazio existencial que assolaria o homem ocidental pós-moderno. "Ler Kierkegaard, disse o jovem Bento XVI, é uma verdadeira aventura transcendental".

3 comentários:

Adriano Holtz disse...

Sabia de Kierkegaard apenas que ele tinha escrito "O Desespero Humano", nada mais. Através deste artigo, sob medida, pude conhecer um pouco mais a respeito deste brilhante escritor. É uma constante em seus posts a concisão e o bom gosto,o que torna agradável a leitura deste blog.

O Bibliotecário disse...

Adriano, fico feliz que pense assim. As vezes receio estar falando (escrevendo) pelos cotovelos e, consequentemente, espantando os leitores. Você me deixou mais tranquilo. Obrigado!

DIARIOS IONAH disse...

EU pessoalmente passaria longe de uma figura como esta .!!!!!!!!!!!!!