segunda-feira, 21 de maio de 2007

Pequeno Gigante da Poesia

Nos dias atuais, são poucas as pessoas que ouviram falar de Alexander Pope, e, dentre estas, poquíssimas são as que já o leram. Não obstante, ele foi o maior poeta inglês do século XVII, e o primeiro a obter fama internacional.

Quando Pope nasceu, no dia 21 de maio de 1688, Shakespeare havia falecido há 72 anos e estava praticamente esquecido. Nessa época os britânicos preferiam a poesia de Ben Johnson, Milton e Dryden, que todavia não tinha grande repercussão. Os leitores estrangeiros só passaram a se interessar pela poesia inglesa depois que Pope começou a escrever. Lembram daquela frase: - "Errar é humano, perdoar é divino!..." - É dele. E serve como indício de sua notoriedade.
Mas que ninguém pense que a glória veio fácil. Até se tornar o grande poeta do seu tempo, Alexander Pope teve que superar percalços absurdos, que eram uma fonte de renovados dissabores. A princípio, como inglês e católico devoto, ele foi alvo dos rancores que seus conterrâneos, de maioria anglicana, nutriam por aquela confissão. Com efeito, sem encontrar escola que quisesse alfabetizá-lo, teve que torna-se autodidata. Depois, aos 16 anos, ele contraiu uma turbeculose que provocou-lhe um duplo entorse da coluna vertebral, deixando-o deformado como o personagem Ricardo III de Shakespeare, que era corcunda e anão. Com cerca de 1,30m de altura, atormentado por dores de cabeça e exaustão, Pope parecia o candidato mais improvável ao posto de grande poeta inglês do iluminismo europeu. Contudo, não pretendia ser outra coisa e, a despeito das limitações, sabia que tinha bastante talento e energia para ser o que quisesse. Assim, antes mesmo de se tornar adulto, ele já era (e ainda é) o mestre absoluto do verso em língua inglesa. Seu nome simbolizava o apogeu da tradição neoclássica, e era pronunciado mais como uma referência ou paradigma, do que como o nome de um escritor. A elegância, o vigor, o equilíbrio e a memorabilidade de sua poesia conferiram-lhe a força moral de que tanto precisava para suportar a doença, de modo que pôde criar uma arte que representa o triunfo do espírito humano sobre sua deficiência física.

Ótimo exemplo para quem sofre de auto-piedade.

7 comentários:

fatimapombophotos disse...

eu nao gosto deste tipo de literatura. nao gosto de rimas melosas.
gosto de HAI KAIS e do poeta MANOEL DE BARROS.
Nao curto ler estes escritores antigos. a realidade deles era outra!
gosto da vida contemporanea com tudo que ha dentro dela!

Badá Rock disse...

Embora a poesia não seja o amor da minha vida, gosto muito dos autores antigos. Gosto do lirismo, do drama, da perspicácia e das sutilezas da literatura antiga.
Infelizmente não há mais autores tão bons, no estilo contemporâneo.
Autores fast-food aparecem às bicas; sinto falta de qualidade.
Os clássicos sempre são melhores, mais substanciais.
Christiano, preciso ler suas indicações.

O Bibliotecário disse...

Minha amiga, Tamar, q prazer em tê-la novamente aqui na biblioteca. Então vc não gosta dos antigos? Tudo bem, nem todos gostam e, de fato, nem todos são bons. Mas há exceções, e Pope certamente é uma delas. Já tentou ouvi-lo? Garanto q as rimas não são tão melosas como se supõe, aliás, se fossem, talvez ele ainda estivesse fazendo sucesso.
Mas isso é uma questão de gosto, não pode ser contestada. Agora, há uma coisa q eu preciso contestar: a realidade de um clássico é perene, pq renova-se.
Aqui eu costumo dizer q estamos vivendo uma nova Idade das Trevas, onde a imagem se sobrepõe à palavra, o trivial ao essencial, o básico ao clássico. Onde não é preciso elevar-se ao nível do sublime, mas baixar o sublime ao nosso nível. Enfim, tudo isso Pope havia pressentido com séculos de antecedência, ele tinha consciência da mediocridade contracultural q no futuro apagaria sua arte, de modo que em seus versos podemos ler o seguinte:

Embaixo da bancada geme a Ciência,
É exilada e punida a Eloquência.
A Lógica, sutil, é amordaçada,
Retórica despida e amarrada;
A linguagem grosseira, insolente,
Adorna o manto sofista da mente.
A física não quer a metafísica,
E esta pede auxílio à razão tísica!
Ao ardor público e privado não há hino,
Não há lampejo humano ou divino!
Olhai! O império do caos agora é acerbo:
Morre a a luz sob o efeito desse verbo:
Tua mão, Anarquista! desce a cortina,
E a Treva Universal será a ruína.


Esse verso à falência cultural é um trecho do Livro 4 da "Dunciad", poema que foi escrito em 1742, mas q em 2007 ainda me assuta pelo tom, q não é apenas atual, mas profético. A realidade aí descrita não é a dele, mas a nossa.

Eloisa disse...

Adorei saber sobre Pope, que, confesso, não conhecia! O poema que você usou no comentário é realmente atualíssimo em suas colocações! Mas, sabe , ele me fez lembrar do Boca do Inferno!Lembrei-me do modernistas pelo que tem de irônico, de crítico também! Vivam os clássicos! Estou adorando seu blog.Uma aula a cada dia! Quanto mais leio, mais me apaixono pela literatura e pelo humano: versátil!

DIARIOS IONAH disse...

esta bem.
voce ganhou.
ele eh bom mesmo.
sim tambem gosto dos antigos, dos classicos, atemporais.
mas apenas comentei que nao li nada seu sobre autores contemporaneos, que existem tao bons como em qualquer epoca.

O Bibliotecário disse...

Minha amiga Tamar, eu entendo seu ponto de vista, e quero que saiba que ele tão querido quanto respeitado. Não precisa se explicar.
E não se preocupe que em breve aparecerão autores contemporâneos. Aliás, já apareceram alguns: Nabokov, Amós Oz, Hilda Hilst, etc. Vou falando de cada autor conforme a data, ou seja, o dia de nascimento. Quaando coincide haver mais de um escritor no mesmo dia, eu opto pelo mais antigo, e os outros ficam para o próximo ano. Sacumé? Então. Mas logo haverá gente nova no pedaço.

O Bibliotecário disse...
Este comentário foi removido pelo autor.