domingo, 22 de abril de 2007

O Inventor do Romance Inglês


Filho de uma família aristocrática, da qual não herdou títulos nem bens, Henry Fielding nasceu em 22 de abril de 1707, há exatos 300 anos. Tempo suficiente para qualquer pessoa ser esquecida, mesmo que seja o inventor do romance inglês.
É uma pena constatar, mas o a obra de Fielding parece fazer parte da lista dos clássicos com prazo de validade!... A culpa não é dele, óbvio, mas da nova idade das trevas em que vivemos.
Autor de inúmeras peças e novelas, Fielding tem como obra principal o Tom Jones, a História de um Enjeitado, considerado por muitos como o romance que, por asssim dizer, inaugurou o gênero na língua inglesa. O livro conta a trajetória de um jovem exuberante de energia, ingênuo e violento, que envolve-se em tramas amorosas sem conta, despedaça corações, ajuda pessoas em dificuldades e, por fim, é acusado por um crime. Dizem que o enredo é profundamente auto-biográfico, já que em quase tudo, salvo o do final, retrata a história do prórpio Fielding.
Por ter um humor picaresco e muitas cenas de ação, o romance foi comparado a Dom Quixote, e, segundo testemunhos contemporâneos, foi também o motivo de duas das últimas gargalhadas que o amargo e genial satirista Jonathan Swift deu no fim da vida, o que serve de medida para os poderes cômicos de Fielding.
Na época o livro causou bastante escândalo, tendo sido considerado um estímulo à licenciosidade. Diziam que o amoralismo de Tom Jones desencorajava o exercício da virtude e, de certa forma, aconselhava o vício. Na França chegou a ser proibido.
Mas o fato é que o conceito moral de Fielding não poderia ser compreendido em seu tempo. Tom Jones é apenas um apaixonado pela vida, corajoso e bom, mas fraco e indisciplinado - um pequeno selvagem.
Henry Fielding defendeu-se dizendo que em sua obra retratava o homem com ele de fato é, com seus defeitos e virtudes; ao contrário de outros que ridiculamente o idealizam. Essa indireta era para Richardson, o mais meloso e querido romancista inglês, e arquirival de Fielding.
O romance foi levado ao cinema em 1963, tendo Albert Finney no papel homônimo, e das oito indicações que recebeu para o Oscar, levou quatro: melhor roteiro adaptado, melhor diretor, melhor música e, claro, melhor filme!
Na era das telas, talvez, a única salvação para a obra clássica de Fielding seja um ramake. Poucos são os que se interessam, e raros os que lêem. Aqui na biblioteca o livro vive encalhado.
Quando ainda era adolescente, Fielding não soube que carreira seguir, e hesitava entre ser escritor e cocheiro! Segundo ele, a primeira seria mais agradável mais cômoda; a segunda, porém, renderia mais dinheiro e consideração social.
Ao morrer, em Lisboa, para onde tinha se mudado por motivos de saúde, ele sentia-se um profundo desencanto com sua carreira, e achava que sua obra logo seria esquecida. Por trezento anos esteve enganado. Contudo, creio que agora já não se pode discordar.

2 comentários:

flordelys disse...

Acho que já li alguma coisa em adolescente, mas já esqueci. Seu comenta´rio aguçou minha curiosidade. Vou procurar este livro. Su biblioteca é do Rio?rsrsrsrs

Adriano Holtz disse...

Comprei este livro sem saber muito bem quem era Henry Fielding. É um livro que assusta à primeira vista; peguei-o agora da minha estante para vê-lo. Ele tem 846 páginas!
Não sei muita coisa de Literatura Inglesa depois de Shakespeare e antes de Emily Brontë, com exceção de Daniel Defoe, imortalizado na figura de Robinson Crusoé, aliás, qualquer um pode saber quem é este personagem, mas poucos dirão que é uma criação do citado escritor inglês.
Graças a este artigo pude conhecer a importância que tem Henry Fielding.